Diáspora Evangélica Brasileira
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Europa Verde Amarela (Tomé Fernandes)

EXPANSÃO DO REINO DE DEUS ATRAVÉS DA DIÁSPORA BRASILEIRA
-- “EUROPA VERDE AMARELA”

1. DEVOCIONAL

EUROPA VERDE-AMARELA--
MOBILIZAÇÃO DE BRASILEIROS DA DIÁSPORA PARA EXTENSÃO DO REINO E PLANTAÇÃO DE IGREJAS

REFLEXÃO
-- João 15: 1-17


João 15 faz parte do discurso de despedida- João 13-17. Tem duas grandes divisões: (1). 15:1-17, a ênfase é obediência, permanecer e produzir fruto; (2) 15:18-16:4a onde Cristo a borda a missão do discípulo, seu testemunho e oposição do mundo. Em João 15: 1-17 Jesus fala de privilégios, o que espera dos discípulos e das obrigações.

“Eu sou a Videira Verdadeira” é o 7º e último “Eu Sou”. No AT, a videira era símbolo de Israel. Israel falhou na produção do fruto- Sl. 80: 8-16, Is. 5:1-10, Jer. 2:21, Ezq. 19:10-14 e Oseias 10:1, 14:7. Jesus é o novo e verdadeiro Israel. Cumpre o propósito divino. O Pai é o agricultor, 1b. Jesus é Videira Verdadeira, 1a. Soberano sobre tudo e todos é o Agricultor a quem Jesus personaliza como “meu Pai”. Os discípulos são os ramos, vs.2-4. Discípulos que não demonstram fruto são sem uso e são removidos. O fruto é o aspecto necessário de discipulado. Ele remove e poda para que o ramo possa dar mais fruto, vs.2. O verbo para “podar” significa “limpar”. O adjectivo associado é traduzido como “limpo”, vs.3/ 13:10. O fruto em João 15 não é algo novo. Ver João 4:31-38, 12:24, João 21. O alicerce são os vs.9-10.

A ênfase no discipulado é “permanecer”. Permanecer não é uma opção mas uma necessidade absoluta. O produzir fruto é o resultado inevitável de demonstração de nossa comunhão com Jesus Cristo, vs.5. O contrário é verdade – sem Jesus Cristo o discípulo nada pode fazer. As consequências são trágicas, vs.6. “Permanecer” é a palavra chave. Aparece 10 VEZES nos vs.1-10. Descreve o relacionamento entre a Videira e os Ramos

Resultados do Permanecer em Jesus:

1. Produzir fruto, vs.4,5, 8, 16. O fruto aqui é justiça, santidade (Gl.5:22s) mas
inclui também a evangelização,vs.16 (Bíblia Vida Nova).

2. Viver em Amor, vs.9, 12. Ser discípulo é imitar a Cristo e ser servo para os
outros, vs.12-13.

3. Amizade com Cristo, vs.14-15. Ser discípulo é ter amizade com Jesus. É algo
único. O discípulo é amigo de Jesus e um filho de Deus. Evoca ideias de relacionamento, comunhão, intimidade, confiança e pertencimento. Amizade é, também, vida eterna, amor, paz, alegria e conhecimento interior dos negócios do Pai.

4. Fiel à missão e testemunho à despeito da hostilidade do mundo, vs.18,20, 23. “O
gozo de Cristo transparece no cumprimento da Sua missão redentora”- Vida Nova. A hostilidade do mundo manifesta-se pelo ódio, pela alienação e pela perseguição, vs.18-27.

IMPLICAÇÕES PARA OS CRISTÃOS BRASILEIROS NA DIASPORA

1. Discipulado É Um Processo Dinâmico – os ramos serão sempre afetados. Serão removidos ou podados. Ser discípulo é uma comunhão constante com Jesus Cristo. Ser “podado” é dolorido mas temos de saber quem é o AGRICULTOR. A grande necessidade do cristão é saber quem Deus é. Isso faz a diferença. É o grande desafio para o evangelicalismo brasileiro do qual nós somos herdeiros e parte do mesmo. Devemos seguir a Deus por aquilo que Ele é e não por causa daquilo que Ele dá.

2. Discipulado é essencialmente por imitação – é uma experiência de nosso relacionamento com Jesus Cristo. Salvação não é só ir a Jesus Cristo mas permanecer nEle. Não consiste apenas de uma só decisão mas um compromisso com Cristo no discipulado.

3. Discipulado é Obediência. Pela Obediência demonstra-se que o discípulo permanece em Cristo. Leva ao fruto. O foco não está em “produzir fruto” mas na obediência e permanência. O fruto é decorrência. O ramo ou a vara se estremece para produzir? Não! Permanece na videira, absorve o fluido interno e naturalmente frutifica. O foco primário precisa ser nossa comunhão com Jesus e não o nosso não fruto. É o antídoto para os “ansiosos pelos resultados” e os que vivem com medo de serem removidos. Os que não permanecem são apóstatas, vs.2 e 6.

4. Discipulado é SER antes de SABER FAZER – interessante que fruto está no singular. O evangelicalismo brasileiro moderno tem sido mais impregnado com a cultura pragmática que nos cerca. Enfatizamos o fazer, o produzir e o sentir. Estamos perdendo a batalha do SER. Como diz o Dr. Jun Vencer da Down Ministry o “ser precede o saber fazer”. É uma verdade à luz de João 15.

Porque seguimos a Deus? Seguimos por causa de Deus ou por causa de suas bençãos? E quando a benção não vem? Como fica o discipulado, a fé, a alegria e a esperança? Donde Habacuque tirou a alegria, a confiança e a esperança apresentada neste texto de 3:16-19? Rm 4:18 diz que “Abraão, esperando contra a esperança, creu...”. Como é que é possível? Habacuque, ao olhar para as circunstâncias externas de sua nação, não podia esperar nada de bom. Deus disse que suscitaria os caldeus. O exército babilónico de Nabucodonozor estava chegando com todo o seu poder devastador. O horizonte era escuro e sombrio. Como, num tempo como esse, manter a alegria, confiança e esperança?

Estamos numa época impregnada de consumismo, isto é, quem não consegue comprar não é gente, é carta fora do baralho nesse mundo em que se valoriza o ter e não o ser. Vivemos, também, numa época caracterizada pelo pragmatismo. Então a fé tem de ser produtiva. A ênfase é na fé utilitária, isto é, conseguir coisas. Nosso mundo valoriza e endeusa coisas e coisifica pessoas. A mensagem é que o sentido e realização na história está em ter e consumir. É a mentalidade que nos vem do shopping centers. Parece que como cristãos estamos nos amoldando a este mundo e perdendo nossa diferenciação interior. Nosso referencial deixa de ser o Reino de Deus e sua justiça. É bem fácil cairmos numa fé pragmática, consumista e utilitária. Parte do evangelicalismo brasileiro passa a imagem de que o único sinal da presença e benção divina é a prosperidade material.

João 15 ensina-nos que a fé precisa ser relacional e não utilitária. Discipulado e Fé implica convicções, confiança, coragem e perseverança. A verdadeira fé e discipulado tem a ver com o que somos e não com o que temos. Se assim não for, então, a fé é funcional. Seguiremos a Deus e nos esforçaremos para sermos fiéis e para sermos abençoados. Não será por causa do amor a Deus, da pessoa e amizade com Deus. Isso é fé em termos funcionais. A alegria e a confiança desaparecerão no momento que deixamos de ter ou quando as circunstâncias não vão bem a nossa volta. É essa a fé bíblica? Qual a diferença, então, entre a fé em Iahweh e fé nos 330 milhões de deuses do Hinduismo?

Essa compreensão se adquire pela comunhão e pelo permanecer com Cristo. É nessa comunhão, quando a alma se silencia diante de Deus e da Palavra de Deus, que o nosso interior se renova. Paulo diz isso em II Co.4:1-18. O exterior pode se enfraquecer e corromper mas “o homem interior se renova de dia em dia”, vs.18b. É no nosso “homem interior” fruto de relacionamento constante com Deus e o Deus da Palavra que a fé é renovada e onde a fé nutre a alegria, a confiança e a esperança. “A tendência humana é interessar-se mais pela aparência do que pelo está escondido. Contudo, a quantidade e a qualidade do fruto dependem da raiz, daquilo que se vê. Raízes na profundidade e frutos no topo significam seriedade no relacionamento com Deus, piedade pessoal autêntica, vida devocional rica, compromisso permanente, renúncia do que atrapalha a comunhão com Deus, apego a JC e confiança absoluta em Deus”- E. César, Devocionais (capa).

Desenvolva a fé relacional. Conheça Deus. Não basta conhecer a Palavra de Deus. Conheça o Deus da Palavra. Não basta ir aos campos do mundo. Conheça o Deus do mundo. Não basta ser fiel nos trabalhos da Igreja. Conheça o Deus da Igreja. Estudar teologia é fascinante. Contudo precisamos conhecer mais “teos” e não só “logia”. Isso vem pelo relacionamento. Foi esse relacionamento que levou o apóstolo João a dar sua vida por Cristo na prisão de Patmos. Essa é a fé bíblica. Uma fé que nos levará para a verdadeira realização de nossa vida e nossa história e, também, a um envolvimento mais efetivo no mundo. Que seu relacionamento com Deus e discipulado cristão seja assim!

2. PORQUE “EUROPA VERDE AMARELA”?

-- Não sou especialista em plantação de Igrejas. Agradeço a Deus pelo privilégio que tenho em compartilhar a minha experiência em treinamento de liderança e plantação de igrejas tanto no Sul da Ásia como agora em Portugal.

-- Após uma década de pastorado e docência teológica na FTBC nos envolvemos com o trabalho transcultural desde 1992:

-- Asia: 34 igrejas plantadas nos lares num trabalho de parceria e formação de evangelistas locais que deu certo.

-- Estamos desde 2001 trabalhando em Portugal e viajando periodicamente pelos campos da JMM como OEP-Ásia. Em Portugal estamos envolvidos no treinamento de líderes com o Instituto Bíblico Portugues e plantação de Igreja sempre num trabalho de equipe. Louvamos a Deus pelas experiências tidas tanto na área de treinamento como na plantação de igrejas. Cristãos brasileiros discipulados e treinados foram usados e estão sendo usados como “pontes” de consolidação e expansão. Damos graças a Deus por estas experiências positivas em meio a tantas incoerências éticas de cristãos brasileiros que têm denegrido a imagem e a cultura brasileira.

- IEBO: 25 pessoas participando em Jan. de 2001 e hoje com uma frequência de 75 pessoas (a capacidade máxima do local onde a Igreja reúne). Contribuíram para a consolidação e expansão da obra dois brasileiros da diáspora:

(1). Edson de Oliveira – imigrante, cristão dedicado, fiel colaborador e participante no trabalho

(2). Cassio de Souza – ganho para Cristo em Portugal. Batizado na IEBO em 2002. Cristão extremamente dedicado e consagrado na obra de Deus.

A IEBO tem hoje duas frentes missionárias: uma no Parque Das Nações (uma área nova de Lisboa e símbolo do Portugal pós 25 de Abril) onde vivem cerca de 20 mil pessoas. Nesta área a Igreja começou oficialmente em Fev. 2005 um trabalho de plantação de Igreja. A 2a. surgiu neste início de ano na região de Vila Franca de Xira, uma área que tem um significativa presença de imigrantes do Brasil. O trabalho ali começou por causa de dois brasileiros do estado do ES que nos procuraram para a Igreja fazer algo na região – um, é o Joel Rodrigues e o outro é o Hudson e sua esposa Patrícia. Hoje, essa frente de trabalho está com uma frequência de 25 pessoas.

São exemplos construtivos e significativos de brasileiros que emigraram do Brasil para Portugal na procura de melhores condições de vida. Brasileiros que foram tocados e conscientizados da realidade do Reino e que têm sido usados como pontes para a consolidação e expansão da obra de Deus em Portugal. São brasileiros que têm feito diferença em suas profissões e influência em seu meio ambiente. Diante dessa experiência em nossa vida/ministério, surgiu o Projeto Europa Verde-Amarela.

(3). Itália – Mantova/Pr. Fabio Piza – Igreja que tem uma frequência de 140 pessoas, entre eles, 30/40 italianos. Em Treviso/Pr. João Caio, uma igreja com 130 pessoas participando, entre eles, 30 italianos. Os cultos são todos em italiano.

3. A DIASPORA BRASILEIRA E O DESAFIO DA EVANGELIZAÇÃO LOCAL E MUNDIAL

A quantidade de Brasileiros na diáspora em Portugal e Europa é enorme. A maioria não é cristã mas muitos são. É um material humano que Deus tem colocado na Europa que poderia ser potencializada e mobilizada para o fortalecimento das comunidades evangélicas locais e a re-evangelização da Europa. É certo que ha muita falta de ética cristã entre os que são cristãos. Lidar nesse contexto é um tremendo desafio ao discipulado. No entanto, há muita coisa positiva com a presença deles na Europa. Disse em 2005, num encontro de brasileiros na Alemanha, um líder que é o coordenador das Igrejas Evangélicas na Bélgica:

“ Vocês foram eleitos para uma missão e os cristãos europeus precisam aprender com vocês a paixão e alegria no testemunhar. Há muito racionalismo e humanismo entre nós. Vocês podem ajudar as igrejas evangélicas locais”.

Os brasileiros cristãos da diáspora em Portugal e Europa constituem um enorme potencial para a evangelização da Europa. Dentro da perspectiva do Reino parece-nos que Deus já deve ter espalhado o celeiro brasileiro para o avanço do Reino em terras europeias e asiáticas.

Em 1990, 13 milhões de cidadãos estrangeiros residiam na Comunidade Europeia como consequência do fim dos impérios coloniais do Ocidente e da quebra dos regimes políticos do Leste (Rocha-Trindade, 1995). Hoje calcula-se que haja mais de 32 milhões de imigrantes na Europa. Há, também, uma presença maior de muçulmanos que constitui a 2a. religião da Europa(Xoan de Castro – Dep. De Missões/Espanha). Calcula-se que mais de três milhões de imigrantes vivam clandestinamente na UE. Entre 800 mil e 1,2 milhões na Espanha, cerca 750 mil na Alemanha, 500 mil na França, 250 mil na Itália e na Holanda e mais de 100.000 em Portugal.

As agendas políticas de organizações internacionais, da União Europeia e de cada país membro têm como uma das prioridades os movimentos migratórios por causa da necessidade de redefinição das políticas de imigração e a gestão dos fenómenos sociais que dela advém.

4. PROJETO “EUROPA VERDE-AMARELA”

4.1. MISSÃO: Ganhar brasileiros da diáspora para Cristo primariamente em Portugal e, extensivamente, num trabalho de equipe na Europa e mobilizá-los como bivocacionais para testemunhar e plantar Igrejas entre as comunidades locais, sejam portugueses ou imigrantes.
4.2. PROPÓSITO: Cooperar como instrumentos de Deus para a glorificação de
seu nome em Portugal, expandir o Reino de Deus e o seu plano eterno e mundial pela re-evangelização da Europa, Mateus 24:14
4.3. PERÍODO: 2007-2012

4.4. PRIORIDADES e ALVOS:

4.4.1. Transformação de vidas e comunidades pelo evangelho e
apresentação da cosmovisão cristã para a re-evangelização da Europa.

4.4.2. Ganhar brasileiros para Cristo e através deles fortalecer as igrejas locais como membros dedicados, objetivando a plantação de Igrejas primariamente entre os portugueses e, também, imigrantes.

4.4.3. Desenvolver projetos de desenvolvimento comunitário entre
crianças e imigrantes carentes.

4.4.4. Equipar e desenvolver lideres para as igrejas nacionais e étnicas.

4.5. PLATAFORMAS DE ATUAÇÃO MISSIONÁRIA-COMUNITÁRIA

4.5.1. Ação Prioritária: O objetivo prioritário é o fortalecimento de
Igrejas nacionais pelo discipulado, treinamento e mobilização de cristãos brasileiros da diáspora e a Expansão da obra do Reino pelo estabelecimento de novas igrejas usando os cristãos brasileiros da diáspora devidamente treinados biblicamente e equipados transculturalmente.

4.5.2. Ações Políticas, Cívicas e Proféticas (Itens de sugestão para as igrejas nacionais)

-- Educação e Intercâmbio Intercultural (Anexo 1)
-- Desenvolvimento de Políticas de Habitação Social(Anexo 2)
-- Redimensionar a Imigração e a Globalização (Anexo 3)

4.5.3. Projetos de Intervenção Comunitária

-- Gestão de Stress Intercultural (faixa de 13 a 20 anos)-(anexo 4)
-- Grupo de Apoio Psicológico e Pastoral A Conjugues Solitários (anexo 5).
-- Introdução À Cultura Local (anexo 6)

4.6. OPERACIONALIZAÇÃO:
4.6.1. RECURSOS HUMANOS
4.6.2. RECURSOS FINANCEIROS

5. MOBILIZAÇÃO E TREINAMENTO DE BRASILEIROS DA DIASPORA PARA A PLANTAÇÃO DE IGREJAS

5.1. OS FUNDAMENTOS BIBLICOS DA EDUCAÇÃO TEOLÓGICA E TREINAMENTO DE LIDERANÇA – MODELO PAULINO

A historia das missões cristãs testifica que Paulo, num espaço de onze anos, pregou o evangelho numa área de 70 mil quilómetros quadrados. Nesse espaço de tempo, Paulo implantou comunidades maduras, compromissadas com Deus e seu Reino, embora pequenas em número. Paulo plantou igrejas por toda a Asia Menor. Um dos segredos de sucesso na evangelização foi, sem dúvida, a prioridade e investimento que fez na formação e treinamento de cooperadores.

Vemos Paulo investindo em:

-- Tíquico(Ef.6, Cl.1),
-- Tito (IICo.7, Tito 1),
-- Timóteo (Fp.2, ITess 3, ITm 1)
-- Aquila e Priscila, Atos 18: 18-19, 26
-- Apolo, At.18: 24-25

Paulo investiu desde cedo no treinamento de liderança que muito contribuiu para o ministério e progresso da obra do Reino de Deus. A filosofia do ministério de treinamento paulino foi uma alavanca efetiva facilitando a capacitação e emergência de liderança independente e local que nos serve de direção para as missões contemporâneas. Paulo foi um teólogo e um plantador de igrejas, uma rara combinação que não é muito comum em nossos dias hoje.

A luz de I Tm. 2:1-7, II Tm. 1:1-11 e II Tm.4:6, o ministério paulino e de treinamento de liderança possuía quatro itens fundamentais:

-- a intercessão, I Tm. 21-6 e Efésios 6:10-20
-- Porquê da Intercessão
-- Como Interceder
-- a pregação ou proclamação, At.16:12-15, 31-34
-- O Plano e Promesa de Deus
-- Evangelismo Oikos
-- a inovação ou discipulado, IITm 2:1-2 e Efésios
-- O Programa de Deus Para o Mundo, Ef. 1-3
-- O Díscípulo Universal
-- multiplicação , II Tm 2:1-2

Estes itens são um sumário do ministério de Paulo. Paulo via a si mesmo como um pregador, plantador de igrejas e mestre, I Tm.2:7, II Tm.1:11.

Paulo foi um intercessor e desafiou Timóteo a uma vida de oração intensiva e extensiva, I Tm.2:1-6. Paulo explica o porquê da importância da oração na vida do obreiro, nas autoridades e nação e, também, do seu valor no treinamento e progresso do evangelho. Em Efesios 6:10-19, Paulo ensina como os discipulos devem interceder. O livro de Atos testifica da ênfase de Paulo na proclamação do evangelho tanto para judeus como gentios, Atos 13-14. Em sua proclamação Paulo procurou contextualizar suas mensagens. Um bom exemplo é Atos 17. Na mensagem aos judeus, Paulo baseou seus pontos de contato e conteúdo na historia do Velho Testamento, Atos 17:1-11. Aos inteletuais gregos no Areopogo de Atenas, Paulo usou como ponto de contato a revelação geral de Deus , a doutrina da Criação e a retórica própria dos filósofos para depois apresentar a redenção, At. 17:23-31. Paulo apresenta o Deus Criador-Redentor, Atos 17:16-34. Em I Co. 9:19, Paulo diz: “fiz-me judeu com os judeus…”. Adaptou-se culturalmente para ganhar os judeus. O conteúdo de sua proclamação era “o reino de Deus e ensinar as coisas concernentes ao Senhor Jesus Cristo…”, At. 28:31.

No processo do treinamento de liderança, Paulo dispendeu um tempo considerável para a inovação/discipulado e multiplicação de discípulos. O propósito de treinamento de Paulo não era simplesmente educação, informação mas a multiplicação. A educação teológica para Paulo tinha uma forte implicação missiológica-missionária. Deve ser o paradigma para os obreiros transculturais hoje no ministério de evangelização e missão.

A independência do trabalho vinha da prioridade de Paulo na formação de liderança. Um exemplo de cooperadores treinados foi o Aquila e Priscila, Rm.16:3. Paulo nunca trabalhou sozinho. Ele procurava atuar em equipe. Procurava cooperadores e não auxiliares. Jesus fez o mesmo. Enviou seus discipulos a evangelizar “de 2 em 2”, Lc. 10:1. Jesus conhecia a natureza humana, de um lado a timidez diante da agressividade do mundo e, também, por outro da tendência humana pelo poder. Ao enviar dois em dois, cremos que Jesus procurou impedir os dois males acima. Nosso treinamento precisa visar um ministério solidário em vez de uma liderança clericalista. O poder precisa ser usado redentivamente para o bem estar de todos e não para promoção pessoal dos lideres. Paulo se aproximou de Aquila e Priscila como fazedor de tendas (Atos 18:2). Os obreiros treinadores hoje precisam descer do seu pedestal. O ensino só será efetivo se os obreiros tiveram a mesma mentalidade de esvaziamento e de servo retratado em Fp. 2:5-11. Paulo é um exemplo a ser imitado em sua filosofia e estratégia missionária.

Ao enfatizar as dimensões do Reino de Deus e testemunho no treinamento de líderes não estamos diminuindo o papel de outras disciplinas. Tudo auxilia na formação de líderes conforme I Tm. 2:15. No entanto, observamos em Paulo que o treinamento de líderes requer uma teologia comprometida com o Reino de Deus e o testemunho ao mundo. O aprendizado não é um fim em si mesmo mas é um meio para um testemunho efetivo e contextualizado no mundo. O discípulo é desafiado a um aprendizado constante nas Sagradas Escrituras na medida em que seus interlocutores solicitam respostas. Nossa educação teológica deve ser essencialmente missionária.

Paulo investiu em Aquila e Priscila. Se tornaram cooperadores da obra com a mentalidade do Reino de Deus consagrados ao Senhor da obra. Deixaram a sua cidade Efeso, a fim de ajudar o trabalho missionário que Paulo pretendia realizar. O Reino de Deus se tornou prioridade na vida deste casal.

Em tudo Paulo nos ensina a depender de Deus. É só Ele que nos capacita tanto os discipuladores como os discipulandos. Paulo diz isso em I Co. 3:6s. A comunidade cristã a ser formada precisa sistematizar a fé bíblica no seu contexto, ampliar seus horizontes para outros contextos no mundo de Deus, relativizando sua própria cultura.

5.2. ITENS IMPORTANTES NO TREINAMENTO DE LÍDERES

(BRASILEIROS DA DIASPORA)

5.2.1. Evitar um treinamento que leve a um clericalismo, isto é, uma pequena minoria conduzindo todas as atividades em beneficio da maioria. “A Teologia é demasiadamente importante para ser deixada nas mãos dos teólogos profissionais. Ela pertence a Igreja inteira e não apenas aos inclinados a vida académica”. (pp. 32-34 “Must Ordinary People Know Theology” (W.Word Gasque in Cristianity Today citado por Dewey Mulholland em Ideias para Educação Ministerial no Ano 2035, p.8)

5.2.2. O treinamento precisava estar centralizado no Reino de Deus e na Palavra de Deus.

5.2.3. O treinamento deve levar o obreiro a capacitar outros(I Tm 2:1-2).

5.2.4. O treinamento deve contribuir para abrir horizontes para todos os contextos.

5.2.5. O treinamento precisa dar subsídios aos obreiros visando facilitar a Contextualização da mensagem e liturgia – evitar uma teologização estéril desvinculado do real e ministerial. Devemos capacitar os lideres a traduzir as verdades bíblicas para as realidades que se aplicam ao cotidiano pratico. A Igreja precisa se tornar relevante dentro do seu contexto.

5.2.6. Entendemos que o treinamento implica em formar lideres
moldando o “ser” de acordo com o caráter de Deus e da Biblia. Entendemos que o “ser” precede o “saber fazer”. Neste sentido, entendemos que o carater do obreiro precisa ser considerado no treinamento de liderança estudando em profundidade as epistolas de Paulo como I Tm, II Tm e Tito. De acordo com Zhabu Terhuja, diretor do Seminario Biblico Shalom em Kohima – India, a palavra formação em espanhol significa moldar o carater. O problema ministerial não é apenas o não conhecimento de doutrinas mas uma inabilidade em compreender o relacionamento entre fé em Deus e viver dignamente da chamada em Cristo. Entendemos que um líder eficaz, efetivo precisa ter uma compreensão e conscientização do que é o Reino de Deus e o que é liderança na Bíblia. Deus requer lideres e não simplesmente gerentes. Dai a necessidade de saber o que é Reino de Deus, sua natureza, aspectos e ensinos. Assim, o líder verá a sua posição como um meio e não um fim em si mesmo. Em nossa opinião, o Reino de Deus é a “concepção mestre”. Por ela, podemos entender a nossa vida e o plano de Deus para este mundo com implicações para a humanidade individualmente e corporativamente. Implica conhecer, também a natureza da liderança cristã, a vida caracterizada pela integridade, boa mordomia, disciplina espiritual., consciência e responsabilidade social.

5.2.7. A metodologia a ser usada. O treinamento a ser usado é a de educação teológica por extensão. Os módulos/ matérias serão ministradas de forma indutiva usando textos auto-didaticos ou texto programado. Entendemos que a metodologia missionária do plantador de Igreja precisa de equilíbrio entre difusão, uma evangelização de massas, e de concentração, onde o plantador treina desde o inicio alguns dos novos convertidos para serem os lideres dessas novas comunidades. Assim, difusão e concentração precisam andar juntas e devem receber prioridade na metodologia do plantador de Igreja. Os missionários e lideres precisam ter um bom senso de auto-estima e estarem seguros de si mesmos a fim de permitirem a emergência de lideres locais e enfatizar o sacerdócio universal de todos os cristãos no espirito de II Tm. 2:1-2.

5.2.8. Nunca perder de vista o fim e a visão final. É um pressuposto
a ser assumido seriamente antes do inicio do trabalho. A visão final na evangelização deve ser:

-- Criação de Comunidades do Reino que sejam bíblicas e
culturalmente autênticas entre o grupo alvo.

-- Comunidades que sejam reprodutoras e comprometidas com
a missão do Deus Triúno.

-- Comunidades de sal e luz comprometidas em traduzir os
valores do Reino de Deus e da salvação nas áreas socio-politicas, económicas e religiosas da nação.

5.2.9. Entendemos que o treinamento missionário deve conduzir a
Implantação de igrejas com as seguintes características:

-- Igreja com pluralidade de lideres
-- Os membros ativos no ministério
-- O treinamento deve se dar dentro das congregações locais e
deve ser acessível a todos os grupos
-- Forte senso de comunhão
-- Compromisso com a evangelização de seu povo e grupos
étnicos não alcançados.

5.3. CONSIDERAÇÕES CURRICULARES

5.3.1. Objetivos Educacionais

-- Cognitivos (saber)

-- Afetivos (sentir, ser)

-- Motores (Fazer)

5.3.2. Diante dos itens acima exposta na questão da elaboração e
formação curricular, as seguintes matérias estão sendo ministradas visando alcançar os objetivos educacionais.

Na área do Ser:

1. Estudo Indutivo/Expositivo de I Tm ou II Tm ou Tito (seminário de
um dia)
2. Estudo de Mateus 5-7: Os Estatutos do Reino (Vol. 3 de OA)
3. Jesus e o Ano da Preparação (Vol 1 e 2 de OA)

Na área do Saber:

1. Método e Técnicas de Estudo Bíblico (Vol. I de OA)
2. Inspiração e Autoridade das SE (Vol 2 de OA)
3. O ambiente Religioso, Social e Cultural do NT (Vol.1 de OA)
4. A Pessoa e Obra de Cristo (Vol. 2 e 5 de OA)
5. Eclesiologia: Estudo Indutivo e Expositivo de Atos (Vol.6 OA):

-- O Espírito Santo
-- Igreja, Corpo de Cristo, Atos 2 e 6
-- Igreja, Centro de Cura e Conforto, At. 3
-- Igreja, Centro de Força Nas Perseguições, At.4/Mat.11-12
-- Igreja e Missões, Atos 8-28
-- Igreja e Discipulado, Atos 9

6. Estudos Inter-Culturais:

-- Seitas (Vol 1 de OA)e Religiões: Hinduismo, Budismo e
Islamismo (em forma de seminário)
-- Realidade Sociológica e Religiosa da Europa e Mundo: Unicidade
de Cristo e Pluralismo Religioso (seminário)

Em relação ao Fazer:

1. Evangelização e Contextualização: Mateus 13
2. Culto e Liturgia
3. Evangelismo Pessoal:
3.1. Joao 3 e 4
3.2. Atos 8
4. Princípios e Métodos para Plantação de Igrejas
5. Como Prepara Sermões e Liderar Grupos de Est. Bíblicos
6. Mateus 10: Embaixadores do Reino (Vol. 3 de OA)
7. Tentação e Batalha Espiritual (Vol. 2 de OA)

Entendemos que treinamento missionário deve dar instrumentos “para trabalhar e continuar trabalhando ministerialmente”. O plantador de igreja ensina como ele aprende e não apenas o que aprendeu da Bíblia. Os obreiros precisam ensinar o povo de Deus a estudar a Bíblia (At. 17:11). O Treinamento não visa apenas ao academicismo, informação (megalocefalia teológica). A reflexão teológica precisa estar comprometida com a Missão da Igreja . O conteúdo não deve ser “um currículo extraterrestre” nem “um currículo pragmatista” sem compromisso com a reflexão. A teoria e a prática devem estar juntos. Precisamos entender que reflexão teológica não é simplesmente transmissão de conhecimentos teológicos. Não deve ser uma “educação igrejeira”, “para o bem-morrer”, mas para a vida. Não é um despejo de informação esquecendo o “ser” e o “saber-fazer”.

Material que está sendo usado

1. Curso Introdutório (1 a 2 meses):

-- Reino de Deus e Missões
-- Como Fazer Discípulos Em Outra Cultura

2. Estudo Dirigido em Efésios/O Discípulo Universal
(material preparado pelo autor e dado paralelamente ao curso bíblico)

3. Curso Bíblico (Obreiro Aprovado – 18 meses). As matérias do conteúdo curricular acima estão sendo ministradas de uma forma integrada e sistemática e não por módulos estanques, independentes ou separados, ou seja, um de cada vez. O material usado é de natureza auto-programado e indutivo. Embora não exclusivamente, a base do texto é o material da SEAN cujo conteúdo bíblico foi contextualizado para o Brasil pela Edições Vida Nova “Seja Um Obreiro Aprovado”. O conteúdo central do curso é o evangelho de Mateus (comparação com os outros evangelhos) e o livro de Atos. O curso Obreiro Aprovado

-- Oferece uma visão integrada da vida, ensino, estratégia e ministério de Jesus Cristo e está centrado nEle.
-- Aborda o contexto geográfico, histórico e cultural do tempo de Jesus numa perspectiva bíblica.
-- Ajuda a compreender a motivação e o propósito missionário de Mateus, o autor do evangelho.
-- Coloca este livro bíblico dentro do panorama e propósito maior do Velho e Novo Testamento.
-- Trata tanto os principais ensinos do cristianismo como os desvios doutrinários do nosso tempo.
-- Desafia o aluno a estudar o seu próprio meio ambiente e colocar o ensino aprendido em prática.
-- Motiva o aluno a participar e a contribuir activamente na abordagem da matéria.

O material, em nossa opinião, é excelente. O aluno aprende fazendo e pesquisando. Não é apenas um ouvinte. O professor ou monitor se torna um facilitador. O curso está sendo agora apresentado para Portugal pelo IBP – Instituto Bíblico Português (Folheto em anexo à disposição dos participantes).

Deus nos tem dado esta oportunidade e esta ferramenta para a mobilização e capacitação de brasileiros na diáspora a fim de avançarmos o Reino. Não é único. Há outras maneiras. Colocamos a nossa experiência e a forma para ser mais uma ferramenta sobre a mesa e consideração do plenário. À disposição para servir.

Conclusão:

O cenário em nosso contexto e mundo colocam a nossa frente o pós-modernismo, o globalismo e os movimentos migratórios do Leste e do Sul devido à péssima situação socioeconómica em seus países de origem, o nacionalismo étnico doentio acompanhado do crescimento do fundamentalismo religioso, o reaparecimento de movimentos políticos racistas e fascistas, a crise ecológica com a consequente desertificação sem esquecer, também, os ventos do secularismo no Ocidente onde ser gente é o que consegue comprar e viver numa roda de consumismo nas catedrais comerciais que são os shopping centers.

Stanley Jones, um dos grandes estadistas de missões e evangelização do século XX, disse: “Jesus nos confiou com a mais expressiva tarefa jamais dada aos seres humanos. A tarefa não é nada menos do que mudar a presente ordem baseada no egoísmo, exploração e individualismo com a nova ordem baseada no amor, compartilhamento e solidariedade. Esta nova ordem é o Reino de Deus. A Igreja é o meio, o Reino de Deus é o fim. A Igreja é temporária, o Reino de Deus é permanente e eterno.”

Apenas dizer que como cristãos temos de ser agentes de transformação é “chover no molhado”. Dizer que temos de ser sal e luz é repetir um slogan. Temos de ir alem disso.
Sem jamais comprometermos a ética cristã, como cristãos brasileiros na diáspora temos de comunicar e apresentar o que mais precioso temos que é o EVANGELHO.

Neste sentido, os profissionais cristãos brasileiros na diáspora devem traduzir o evangelho e seus valores pela pregação, serviço social, literatura, artes, música para salvação da humanidade como, também, para influenciar os pensamentos e ideologias que procuram monopolizar os pensamentos humanos. Não devemos fugir do mundo.

Num mundo de tantos desafios, a Igreja e os cristãos brasileiros da diáspora necessitam de lembrar do plano de Deus para a história e o mundo. Os filósofos gregos foram conhecidos pelos seus aforismas morais. O mais conhecido era “conhece-te a ti mesmo”. Um outro, não tanto conhecido mas de igual importância era “conheça o teu momento”. Sim, precisamos reconhecer a significância histórica desta hora no cenário mundial e brasileiro. Como discípulos e cristãos brasileiros na diáspora temos uma tarefa a cumprir neste mundo do Deus Criador e Redentor. Atrás de todo um quadro de mudanças no mundo, permanece Aquele que é o único que tem dignidade, o Imutável, Cristo Jesus. Ele nos vocacionou para darmos fruto, João 15, e Cristo nos tornou possível conhecermos a nós mesmos e conhecermos nosso momento porque nós O conhecemos. Através de Cristo e sua Igreja, Deus está reconstruindo o mundo. Que o nosso fruto possa estar ligado com essa reconstrução do mundo e com o plano de Deus para a história!

Pr. Tomé A Fernandes
Obreiro da JMM da CBB/OEP - Ásia

Obs. -Palestra apresentada na Conferência da Diáspora Brasileira realizada na Alemanha em Novembro 2006.
 

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